Ausência de dado não é concentração zero
Uma lacuna no monitoramento do ar pode resultar de manutenção, falha, invalidação ou indisponibilidade de comunicação. Substituí-la silenciosamente por zero altera a série e pode produzir médias que parecem melhores sem representar uma medição real.
O tratamento começa por distinguir dado válido, dado inválido e dado ausente. Preserve o registro original e a justificativa das alterações. A regra utilizada para calcular indicadores precisa considerar os requisitos do método e da avaliação pretendida.
Cobertura muda a força da comparação
Considere dois meses hipotéticos: um com cobertura distribuída ao longo do período e outro com dados apenas em alguns dias. Mesmo quando as médias são próximas, a diferença de cobertura limita a comparação. É necessário avaliar quais condições ficaram sem observação.
Informar apenas o percentual total pode ser insuficiente. Lacunas concentradas em horários ou condições específicas têm implicações diferentes de falhas dispersas. Um calendário de disponibilidade ajuda a enxergar essa distribuição.
Como apresentar a limitação
Mostre o número de registros esperados, válidos e excluídos, com critério de contabilização. Identifique os intervalos afetados e explique quais conclusões ainda são sustentadas. Se a cobertura não permite uma avaliação, registre essa impossibilidade.
Estimativas podem ser úteis em estudos específicos, mas devem ser separadas dos dados medidos e acompanhadas de método e incerteza. Preencher automaticamente a série para deixar o gráfico contínuo não resolve a ausência de informação. O relatório precisa preservar essa diferença para quem tomará a decisão.
Fontes para consulta
Publicado em 18/10/2026
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